sábado, 30 de agosto de 2014

AS BRUXAS DE KENWOOD

As Bruxas de Kenwood

Megan, Cristina, Roxane.
Mulheres com o estígma da maldição!

No final do século dezessete, a caça ás bruxas estende suas negras asas sobre o mundo.
Desesperadas, acossadas e acusadas de feitiçaria, as três irmãs Kenwood deixam a Inglaterra e fogem para o Novo mundo.
A América é a salvação, a esperança.
E Massachusetts é a terra da aventura e do romance, a chance de mudar o destino. Grandes paixões despertam e amadurecem á sombra de preconceitos e ódio.
Mas a perseguição ás bruxas continua implacável.

Capítulo Um

Em se tratando de castelos, Kenwood era pequeno. Mesmo assim, aos olhos de Christina, ele se destacava imponente na beleza da costa irregular da Cornualha, onde fora construído havia quase quatro séculos.
Esguio e solitário, ele se delineava de encontro ao céu sem outras edificações à vista na vizinhança, já que a vila, ao norte, escondia-se por detrás das colinas. As muralhas externas, de grandes blocos de granito, encobriam tudo, exceto as quatro torres. Numa delas, esvoaçava a flâmula vermelha, sinal de que o conde de Kenwood encontrava-se na residência. Christina, que havia ca¬minhado distraída pela trilha no topo do penhasco, trazia o semblante preocupado ao voltar para casa.
No início desse verão de 1691, ela completara dezesseis anos e, na sua opinião, não era mais uma criança, e sim uma adulta, o que, na verdade, não lhe mudara a vida.
A brisa do mar agitou-lhe os cabelos vermelho-dourados, e ela os prendeu com as mãos enquanto erguia a cabeça. Nesse momento, viu, lá embaixo na nesga de praia à volta da enseada, uma silhueta escura movendo-se na areia. Apertou os lábios numa expressão de desagrado.
Sem ser vista, observou Roxanne, a meia irmã, dirigindo-se à trilha que a traria até ali em cima do penhasco. Como não desejasse encontrá-la, passou a andar mais depressa, na esperança de al¬cançar o castelo antes de Roxanne terminar a escalada.
Os movimentos harmoniosos e leves revelaram a sua familiaridade com o campo e a vegetação. As horas que passava ao ar livre constituíam a parte mais preciosa de seu dia. Amava profundamente essa região onde nascera e vivera os dezesseis anos de vida, imaginando-a ser a mais bonita da Inglaterra. Certa vez, tinha expressado essa idéia a Megan, sua outra meia irmã, na presença de Roxanne, que rira ao lhe perguntar:
— Como pode pensar tal coisa se nunca esteve em outro lugar? Isso não deixava de ser verdade, porém o pai lhe havia descrito
regiões distantes, até mesmo Londres, e todas elas, na sua opinião, não se igualavam à Cornualha.
O conde só se ausentava de casa quando a necessidade o obrigava a viajar. Ao retornar, atirava-se, com um suspiro de alívio, à poltrona predileta em frente da enorme lareira, no salão principal do castelo.
— Ah, Christina, por Deus, sirva-me uma bebida para comemorar minha volta ao lar! Roxanne, traga meus sapatos e me ajude a tirar estas botas de montaria! Megan, veja se consegue algo para este velho comer enquanto espera pelo jantar!

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