domingo, 31 de agosto de 2014

Série Bennington Calvert


1- Sarah
2- Elizabeth
3- Catherine

Sarah
Série Bennington Calvert 





No país dilacerado pela Guerra de Secessão floresce um amor sem fronteiras, um sonho de esperança… 

Sarah Mackenzie, educada nos rígidos padrões puritanos da sociedade americana, cedo aprendeu a temer o futuro imposto a todas as mulheres: casar-se sem amor, submeter-se a um marido autoritário e a uma vida árida sem horizontes. 
Rebelde, obstinada, dona de uma inteligência arguta que a fazia tomar partido dos oprimidos, ela jurou jamais se curvar à vontade de um homem! 
No entanto, ao conhecer Philip Calvert, Sarak se defronta com um destino inesperado. 
Ao lado desse incansável defensor da liberdade, ela descobre os mistérios da paixão, o violento despertar da sensualidade e a doce conquista de um prazer sem culpas ou barreiras… 

Capítulo Um 

Os gritos cessaram só no fim do dia.
As primeiras sombras da noite se infiltravam na casa e com elas veio um silêncio ameaçador. Sentada no último degrau da escada, Sarah Mackenzie sentiu o ar, denso pela ausência absoluta de sons, entrar em seus pulmões, dificultando-lhe a respiração, prestes a sufocá-la de medo.
Quando tudo começara na tarde anterior, a sra. Hobson, cozinheira da família há anos, fora à procura da garota. Custara muito até encontrá-la escondida no quarto, com as mãos sobre os ouvidos, numa esperança vã de bloquear os sons angustiantes. Forçando-a a ir para a cozinha, tentara distraí-la com biscoitos de gengibre e chá, revoltada contra a atitude desumana de não afastar as crianças daquele ambiente de dor, evitando-lhes mais sofrimento.
Infelizmente, naquela casa, o relacionamento entre patrão e empregados não permitia sequer uma tentativa de aproximação, quanto mais a ousadia de um palpite, e nenhum dos criados se arriscara a demonstrar sua indignação.
Josiah Mackenzie sempre fora um homem profundamente religioso e acreditava nos atos de um Deus implacável mas justo. O poder do Senhor, que distribuía a Justiça sem misericórdia, era aceito como parte integrante de uma vida austera, regida pelos princípios rígidos do Velho Testamento. 
Ele não admitia nenhum motivo válido para poupar seus filhos de conhecerem a punição quase aterradora da mão divina.
Naquela noite Sarah não tinha pensado no Deus de seu pai. Num estado de semiconsciência que oscilava entre um sono muito leve e a insônia, percebera os sons se tornando mais fracos com a chegada da manhã. Com a luz do dia, o medo diminuíra e ela havia se consolado, pensando que os gritos eram apenas o resultado da luta de sua mãe contra algo horrível, muito além da sua imaginação. 
Mas o silêncio, quando chegara, mostrava-se ainda mais assustador, pois trazia a dúvida. 


2- Elizabeth 



Orgulho e Paixão travam guerra em seus corações 

A elegância e a agitação social de Boston contrasta fortemente com o lugar em que Elizabeth Calvert foi criada, na Virgínia, onde a serenidade superficial esconde a luta ferrenha pela sobrevivência. 
Elizabeth deixa-se encantar pelo luxo e pela riqueza desta sofisticada cidade do Norte. 
E sente-se personagem de um conto de fadas quando se casa com o mais fascinante magnata da região, Drake Bennington. 
A certeza de ter encontrado um amor especial sofre seus primeiros abalos quando ela e o marido se descobrem verdadeiros estranhos num casamento tão cheio de conflitos quanto o Norte e o Sul do país, recém saído da guerra. 
Desiludida, Elizabeth será tentada a voltar para a tranqüilidade da terra natal, para os braços de seu antigo amor. 

Capítulo Um 

A lembrança mais antiga de Elizabeth Calvert era de um homem alto e magro, num uniforme gasto, cinza, chegando à porta da cozinha e pedindo a sua mãe um prato de comida. 
Ele falou pouco, enquanto comia o ensopado de carne. Depois, ofereceu-se para ficar durante algum tempo e ajudar nos trabalhos da fazenda.
Elizabeth nunca foi capaz de dizer se ele havia ficado ou não. Só sabia que, no verão de seu terceiro ano de vida, uma fila interminável de homens exaustos e famintos subiu o caminho de cascalho que levava a Calvert Oaks, para bater à porta da cozinha. 
Por mais que viessem, sua mãe sempre tinha um sorriso e um prato de comida para eles, embora muitas vezes os observasse voltar à estrada com os olhos cheios de lágrimas.
— Não chore, mamãe — Elizabeth pedia então, erguendo as mãozinhas para acariciá-la. — Por favor, não chore!
— Não estou chorando — Sarah dizia. — É que entrou um cisco no meu olho. Este verão está tão seco e poeirento…
Mais tarde, quando o trabalho na cozinha estava feito, as roupas lavadas e a enorme casa limpa, elas iam para a varanda esperar o pai de Elizabeth voltar dos campos. 
Era a hora favorita da menina, que se sentava no colo da mãe, na cadeira de balanço de palhinha, ouvindo-a cantarolar cantigas de ninar e vigiando a estrada. Quando o pai surgia, ela corria para ele, que sempre a erguia no ar com o único braço que lhe restara, fazendo-a gritar de prazer, por mais cansado que estivesse.
Seu pai era o homem mais atraente do mundo, assim como sua mãe era a mulher mais bonita. 
Em outros tempos, eles haviam participado de festas maravilhosas, usado roupas lindas, e rido muito com as outras pessoas que moravam em casas enormes, ao longo do rio James. 
Então, uma coisa chamada guerra começara e as festas tinham acabado. 
Agora, a maioria daquelas casas não passava de ruínas consumidas pelo fogo, e muitas daquelas pessoas tinham seus nomes inscritos em pedras tumulares.


3- Catherine




Um alto preço a ser pago por quebrar um tabu!

O romantismo de Catherine Bennington a impedia de aceitar os fatos. 
Com a visão nublada pelos sentimentos, imaginava possível apenas amar Evan O’Connell, não importando sua origem, posição social ou dinheiro.
“Não podemos sonhar com amor! 
Pobres e ricos só se dão bem quando cada um fica em seu lugar!” 
As ríspidas palavras de Evan magoavam Catherine, feriam sua alma… mas expressavam a realidade que ele conhecia.
A duras penas Evan O’Connell havia aprendido a reconhecer o abismo que o separava dos ricos. 
Sempre sentira na pele o desprezo dos poderosos. 
Para ele, conseguir dinheiro e uma linda mulher só seria possível se sobrevivesse à oposição implacável de uma elite prepotente.
Uma história de paixão, orgulho é resistência aos poderosos!

Capítulo Um 

Boston, 31 de dezembro de 1899.
— Você não está falando sério, Catherine! — Olívia Sherman exclamou. Seu rosto sem graça refletia espanto e uma pontinha de inveja ao fitar a prima.
As duas encontravam-se no saguão superior da casa dos Bennington, na praça Louisburg. Lá embaixo, um baile estava em pleno andamento. Catherine marcava o ritmo da música com os pés, balançando o corpo levemente. 
Seu vestido branco, de seda, tinha as linhas modestas consideradas apropriadas para uma garota de dezessete anos, ainda não oficialmente apresentada à sociedade. A luz das recém-instaladas lâmpadas elétricas fazia brilhar seus cabelos dourados, arrumados em cachos suaves.
— Por que não? — ela perguntou, um rubor de excitamento colorindo seu rosto de malares salientes. — Dancei duas vezes com papai, e duas com Jimmy. É o suficiente, já que não vão me deixar dançar com mais ninguém. Se andarmos depressa, podemos voltar em tempo para o champanhe da meia— noite.
— Nem você teria o atrevimento de ir ao Carmody's — Olívia afirmou. — Você pode dizer que tem, mas não tem.
— Claro que tenho. — Com os olhos cinzentos brilhantes de excitamento, Catherine lançou um olhar para o relógio carrilhão, colocado junto à escadaria de mármore branco. — Mais algumas horas, e já será meia-noite. Um século novinho em folha vai começar! Não quero que minha única lembrança desta noite seja de tomar limonada e conversar educadamente com garotos que coram e gaguejam, cada vez que olho para eles.
Olívia quase mordeu a língua para não dizer que daria tudo para ter o mesmo problema. Perto dela, os garotos não reagiam assim. Na verdade, pareciam nem notar sua existência. 
Seu consolo era saber que tinham a mesma atitude em relação a todas as outras garotas, menos Catherine.
Mas Catherine era linda. Linda, mesmo. Todos reconheciam. As damas mais idosas da sociedade de Boston falavam dela aos mulheres da geração da mãe de Olívia eram mais discretas. 
Se tinham filhas, mantinham uma atitude alerta e desconfiada. 
Se não tinham, eram bastante tolerantes.
As garotas alguns anos mais velhas, que já haviam sido apresentadas à sociedade, fingiam não dar importância a Catherine, dizendo que ela era muito nova para contar. 

Mas todas estavam bem mais ansiosas que o normal, para arranjarem maridos. Ninguém admitia abertamente, mas segundo os rumores, vários rapazes, que já deveriam estar casados, tinham decidido esperar mais um pouco, depois de ver Catherine.

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